24 de Nov de 2009

Não basta só ser, tem que estar

A máxima do se o cliente não vai até a você, vá até o cliente vale como nunca. Trabalhar com o público é divertido. Claro que você precisa de muita dose de paciência, mas mais do que isto, de jogo de cintura.

A paciência e diversão valem para todos os públicos com quem irá interagir. Seja o da Vila Madalena, seja do Brooklin ou mesmo de guetos. E quando digo guetos, são aqueles que fazem parte de um seleto grupo.

Você já viu com certeza na mídia a galera que vai a eventos Star Wars, Star Strek ou Star qualquer coisa. E quando digo qualquer coisa, chamo aqueles que vão vestidos de desenho japonês, de Harry Potter, ou semelhantes.

Normalmente são jovens que querem mostrar toda a sua paixão ou qualquer teoria psico-sei-lá-o-quê que explique o inexplicável. Porque é inexplicável você ver um cidadão de quase 50 anos sair de casa com um macacão da aeronáutica e outro de piloto da FAB (sem nunca terem prestado o serviço militar) para ficar horas em um evento sem ar condicionado. Isto se chama em bom português: nerd.

Os caras sabem tudo o que é possível ou impossível de caças, teco-tecos, tanques, fuscas e cocas (o refrigerante, claro!). São colecionadores e plastimodelistas. O quê? Montadores de brinquedinhos, resumindo.

Se quer ver o que não viu na mídia, confira as fotos abaixo. Sim, porque a Ímas Personalizados não esperou os nerds e foi atrás deles. Com a mesma dose de paciência, jogo de cintura e diversão que sempre (sem modéstia mesmo) tem com patricinhas, mauricinhos, hippies, falsos hippies, brimos, entre outros. Porque sem ela (a diversão), é melhor nem sair para tomar um chope na Vila Madalena.

Divirtam-se!








11 de Nov de 2009

Apagão

Sabe quando você menos espera uma ajuda e ela aparece?

Você está lá, correndo para fazer as coisas da sua rotina, do seu trabalho e eis que aparece um obstáculo. Daí você para e pensa: “acho que seria uma boa eu gritar por uma mãozinha”.

Olha para os lados e vê que tem quem possa te ajudar, resta saber se a pessoa está disponível ou se ela preenche realmente os requisitos que você necessita.

Obviamente, faz o caminho mais fácil. Envia um e-mail, afinal, é mais barato, rápido, prático e ainda não tem o risco de ouvir o não diretamente da boca da pessoa.

Eis que recebe uma resposta mais do que rápida. Mas a ajuda não vem do tamanho daquilo que precisava, mas já fica feliz em saber que aquela pessoa, que você até então nunca esperou nada (de bom), se esforçou para colaborar.

Daí alguns dias adiante, quando já havia deixado o obstáculo para trás, você acorda e recebe uma carta. Sim, aquele negócio feito de papel, dentro de um envelope (também de papel), com selo (aquele negócio que você precisa de cola para grudar) e que vem dos Correios (daqueles sujeitos de amarelo). Eis que abre a carta e vê que a ajuda que sempre precisou não estava dentro do envelope, mas do lado de fora.

Não basta ser, tem que participar. Não importa quando, desde que seja.

Obrigado por ajudar a preencher o apagão. Mais uma vez

12 de Out de 2009

Bastarda inglória

Infelizmente, falar sobre isto não é novidade e nem algo que só acontece com este blogueiro. Reclamar de pessoas que deixam o celular ligado no cinema, que conversam alto durante a sessão ou que ainda atendem o telefone no meio da projeção não é mais assunto em mesas de bar ou em reuniões familiares. Isto é tão comum quanto comer de boca fechada ou buzinar sem motivo no trânsito paulistano.

Por isto, o caso aqui é para falar sobre o outro lado. Não, não da pessoa que fica com raiva porque um terceiro atendeu o celular no meio da sessão. Mas daquela pessoa que conseguiu fazer com que o infeliz desligasse a “merda do celular”.

Há diversas formas de se aproximar de um estranho. O blogueiro aqui poderia citar algumas delas e lembrar que até buzinar pode ser uma forma de fazer um aproach. Mas a questão aqui é que quando alguém faz algo obviamente irritante, faz algo que obviamente que não deveria ser feito, como se aproximar? Na questão aqui colocada, é como fazer com que uma pessoa desligue o telefone após ter atendido durante (repito, DURANTE) a sessão de cinema.

Fazer um “shhhhhhhhhh” é clássico e, de tão clássico, perdeu a força. É como falar para uma criança que o bicho-papão vai aparecer caso ela não coma salada. Gritar sabe-se lá de onde “desligaaaa!” também não tem poder. A voz morre na imensidão da sala. Quem atende o telefone durante o filme não tem medo destes berros invisíveis. É a mesma criança que descobre que, após não comer a salada, não existe bicho-papão algum ou que o bicho-papão tinha coisa mais importante a fazer. Bom, olhar feio para o infeliz, então, esquece, né? Hello!!! Você está em uma sala escura, ou esqueceu disto?

Provavelmente partir para a agressão é uma saída pensada por 95% dos homens. Chutar a cadeira do filho da puta ou dar um tapinha na cabeça do corno que atrapalhou a sessão ou mesmo partir para uma alternativa à moda de Tarantino são alternativas. No final, porém, sabe-se que a merda será muito maior se apelar para tais medidas. Daí que a violência é descartada, a raiva aumenta e você com certeza corre o risco de perder boa parte do filme só pensando no imbecil que atendeu o telefone.

Portanto, como foi dito anteriormente, este post vai para a moça de 1,60m que fez um marmanjo não só desligar o telefone como ainda sair duro do cinema sem olhar para trás, com o rabo entre as pernas. O cretino saiu como uma criança que viu o bicho-papão no formato da mão da mãe no meio de cada lado da bunda depois de desafiar e não comer a salada.

O que foi feito? O blogueiro só vai ensinar porque acredita que alguém, um dia, pode repetir o ato. E mesmo que seja só uma pessoa, isto surtirá efeito na história da humanidade. Esta moça chegou por trás, no ouvido onde o rapaz tinha o celular e disse em tom baixinho mas suficiente para que a pessoa do outro lado da linha também ouvisse: “Seja educado e desliga a merda deste celular!”

O bicho-papão estava lá na sessão de Bastardos Inglórios do Frei Caneca. Praticamente uma Bastarda Inglória sem direção do Tarantino.

15 de Set de 2009

O juvenil

- Taí, ela acha que eu sou um juvenil, um moleque. Acha que eu vou cair neste novo golpe dela. Você acha que eu já não sei o que ela quer dizer com isto? Se eu abrir a boca para reclamar e dizer o que este relógio antigo está fazendo aqui na área de serviço sabe o que a Janaílza vai dizer?

A pergunta era retórica, e o cunhado sabia disto, mas ele, mais preocupado em saber se tinha cerveja na geladeira, acenou com a cabeça negativamente.

- Vai encher o meu saco e dizer que este relógio esta aqui faz mais de um mês e que eu só fui perceber agora e sabe o que isto significa? Que eu nunca vou para a área de serviço, porque eu sou incapaz de botar uma porra de uma roupa suja na máquina ou muito menos de pegar a vassoura que fica aqui fora e ajudar a tirar o mínimo de sujeira da sala. Cara, às vezes ela não parece a minha mãe. Ela é pior do que aminha mãe, putaqueopariu! Ela não para nunca de falar! Já estou de saco extremamente cheio. Mas não pensa que vou dar o braço a torcer, não. Mas isto eu não vou mesmo!

Nisto, o cunhado abre a geladeira, pega uma cerveja e percebendo que não seria um bom momento perguntar onde estão os copos ou mesmo que se pegar copo vai sujar e que a Janaílza vai reclamar, toma direto do gargalo mesmo.

- Eu vou fingir que já vi este relógio faz um tempão e que não liguei para o fato dele estar lá. Porque se reclamar dizendo que achei que ficou horroroso, ela vai dizer que já está horroroso faz um mês. Se eu falar que achei legal, vai comentar que demorei para notar que a merda do relógio estava lá.

- Sei, disse o cunhado. Mas se você não falar nada, ela não vai achar ruim que você não notou a diferença?

- É verdade, mas vou adotar a mesma postura de quando a Janaílza corta o cabelo. Eu só percebo a novidade uma semana depois e isto depois dela reclamar que não reparo que ela cortou um milímetro da franja. Mas daí eu digo que ela é tão linda que nem mesmo um corte é capaz de mudar a beleza dela. Cara, a sua irmã adora ouvir isto!. Bom, mas pensando um pouco nisto que você falou, eu vou apelar um pouco mais. Vou derrubar a porra do relógio, quebrar e não falar nada. Daí vamos ver quanto tempo ela nota que o relógio não está mais funcionando.
Percebendo o momento, o cunhado tratou de pegar mais uma cerveja e se despediu apenas acenando.

No dia seguinte, antes de sair de casa, Janaílza berrou da área de serviço: Vanderbiu, você viu o que aconteceu com o relógio que estava aqui na área de serviço?

Vanderbiu encheu o peito e soltou: Claro que eu vi, porra. Você acha que esta casa é só sua e que só você pode andar por ela inteira?

- Porra, disse Janaílza. Então o que aconteceu? Eu só deixei ele aqui fora ontem mesmo de manhã para pegar um ar porque já estava todo empoeirado. Aquele relógio era da minha vó e custa uma fortuna. Eu ia penhorar para ajudar a pagar a reforma do banheiro aqui de casa.

"Caralho, fodeu! Vai ser juvenil assim na casa da sua mãe", pensou Vanderbiu. "Acho melhor eu começar a lavar ao menos a louça de casa..."