01/11/2006

Funcionário-padrão!

Carlos Alberto, "o funcionário-padrão".
Era desta forma como era chamado em alto e bom som pelo seu chefe. Luiz Otávio gostava de deixar bem claro para todos que todos tinham que ser iguais a Carlos Alberto.
- Ele só não é mais perfeito porque tem o nome do técnico da seleção brasileira. E só não é meu genro porque só tenho filho homem, afinal, sou porra-grossa!
O jeito fino não era o forte de Luiz Otávio. Pelo contrário. Gostava de dar berros. Fosse para elogiar como na hora de dar esporros. E isto não era apenas na repartição, mas também no bar.
- Aí, João! Pode soltar mais uma rodada para a galera! Eu não vou pagar, mas eles também não vão beber!
E sempre que podia soltava sua risada que só não era pior que a aquelas que botam nos quadros do Zorra Total.
Luiz Otávio enchia a boca para falar de Carlos Alberto. Ele não exagerava quando dizia que adoraria ter o rapaz como genro. Carlos Alberto não era um gênio em seu trabalho. Estava apenas dentro da média quando o assunto era trabalhar, mas o que o diferenciava dos demais era a sua honestidade. Podiam contar com ele para tudo e sabiam que, mesmo contrariado, fazia o trabalho. Fosse a hora que precisasse. Numa sexta-feira, quinze minutos antes de terminar o expediente, Luiz Otávio chamou Carlos Alberto na sala.
- Parreira!
- Meu sobrenome não é este, seu Luiz Otávio. É Magalhães.
- Ok, Ok. Preciso de um favor. Hoje tenho um compromisso fora de casa e, caso minha mulher ligue, por favor, atenda e diga que eu não posso atender, que estou em uma reunião, ok?
- O senhor quer que eu minta?
- Não, apenas que não diga toda a verdade.

Na segunda-feira, Carlos Alberto chegou mais uma vez dentro de sua pontualidade britânica e, quando caminhava rumo a sua mesa, achou estranho não encontrar o chefe.
Mal entrou na sala dele, viu um bilhete colado na porta. “Você está demitido. Não por falar a verdade, mas por mostrar que não tem jogo de cintura para driblar os momentos mais difíceis de uma empresa. Demonstrou ainda falta de espírito de equipe e uma desqualificação para ocupar o atual cargo. Em suma, faltou profissionalismo da sua parte. Sem mais, atenciosamente, A Direção”

“A Direção”, porém, era apenas Luiz Otávio. Ao sair, encontrou outros colegas da repartição, que tentando esconder o sorriso de satisfação, perguntaram o que havia acontecido.
- A mulher dele ligou e você disse a verdade?
- Não.
- A mulher dele descobriu toda a verdade e ele acha que foi você quem disse?
- Não.
- A mulher dele obrigou você a dizer onde realmente estava o chefe?

Carlos Alberto, porém, nada falou e saiu com um sorriso sarcástico de satisfação, lembrando da conversa que teve com a mulher do chefe.
- Onde está o Luiz?
- Aqui ele não está.
- Você é o famoso Parreira?
- Carlos Alberto!
- Então, se ele deixou você aqui é porque está aprontando algo e você jamais vai me dizer a verdade, certo?
- Por aí.
- Então, já que não tem ele, vai tu mesmo!, disse ela, tratando de tirar o vestido preto que ia até o joelho.
- Quero ver se você é mesmo este funcionário-padrão que tanto o corno do Luiz Otávio afirma.
Ao ver a cena, Carlos Alberto não teve dúvida e só pensou em uma coisa.
- Parreira é a putaqueopariu! E tratou de baixar o zíper.

5 comentários:

FAFÁ disse...

Não entendi: "Pq o cara foi demitido se ele era suuuuperr prestativo???"

Déia disse...

E bota prestativo nisso! Hahaha

Tacos al Pastor disse...

Ééééé, funcionário-padrao até a página 10...

Tacos al Pastor disse...

Ahhh já ia me esquecendo... O layout tá muito melhor... Até que enfim!!!!

o_argentino disse...

ó único chefe que eu tive que mereceu tal tipo de recompensa era um rapaz judeu...